Depende de você: seu filho pode viver mais de 100 anos com qualidade

Você gostaria de chegar aos 100 anos? Mas como você quer chegar lá? Tomando um monte de remédios, mal podendo andar, solitário? Claro que não. Mas para ter uma vida com longevidade qualidade, é preciso começar ontem. Veja nest post o que dizem alguns estudos científicos a respeito e viva mais e melhor.

O mundo é cada vez mais longevo. Em cerca de duas décadas, conseguimos aumentar em torno de 10% a expectativa de vida no mundo e reduzir drasticamente a mortalidade infantil.

Esse fenômeno nos abre o horizonte para uma vida longa para nossos filhos, em pouco tempo não será raro viver além dos 100 anos.

Avanços na ciência, especialmente relacionados à medicina, como vacinas, tratamento do câncer, das doenças cardiovasculares, diminuição do tabagismo e acesso à atendimento médico, pavimentam essa estrada para o centenarismo.

Viver mais significa viver melhor?

Porém, há uma dualidade, entre vida longa e qualidade de vida.

Pergunte-se: quantas pessoas acima de 50 anos que você conhece não estão tomando medicamentos para hipertensão, diabetes, alzheimer, quantos não estão acima do peso? Isso compromete a longevidade com qualidade de vida.

E o que meus filhos ou meus futuros filhos tem a ver com isso?

A questão é abordada no livro que recomendo a todos: “Carta a um menino que viverá 100 anos”, do biólogo Eduardo Boncinelli. Sabemos hoje que a semente da maioria dessas doenças crônicas é plantada no bebê. Só com um estilo de vida mais voltado para a preservação da saúde, teremos longevos saudáveis.

Sua alimentação está preparada para você viver 100 anos?

Um artigo científico, publicado ano passado na Pediatrics, maior revista científica pediátrica do mundo, me chamou muito a atenção. O grupo da Dra Melania Marco, Universidade de Roma, demonstrou a presença e o aumento de moléculas que predispõem o indivíduo ao alzheimer, no sangue de adolescentes obesos e com alterações glicêmicas. Ou seja, a semente do Alzheimer é “plantada” muito antes do que pensamos e nosso estilo de vida tem tudo a ver com isso.

O que as pessoas que vivem muito e com qualidade têm em comum?

Recentemente, vários estudos científicos foram feitos com os chamados centenários, e o que se viu é que, mesmo distantes milhares de quilômetros (Okinawa-Japão, Lomalinda-Califórnia, Nicoya-Costa Rica, Ikaria-Grécia, Sardenha-Itália), essas comunidades tinham algo em comum entre si:

1- Alimentação com um mínimo de alimentos industrializados/ultraprocessados. Base alimentar de hortaliças/frutas e leguminosas, consumo de altas quantidades de fibras, uma discreta redução calórica (cerca de 80% da necessidade) e consumo de vinho ou bebida alcoólica com frequência, porém pequena quantidade (no Nordeste se diz, uma lapadinha para almoçar).

2- Movimentação natural. Não precisa virar um rato de academia (olha o estresse!), mas diariamente não se deve perder oportunidade de aumentar o número de passos dados. Evitar longos períodos sentados, ou atividades essencialmente sedentárias. E tente fazê-lo em ambientes abertos, tome sol, com moderação, mas tome;

3- Propósito e meditação. Estabelecer objetivos, caminhos, projetos, mas sempre tendo possibilidade de parar e meditar.

4- Convivência. O engajamento em uma comunidade, família ou religião, naturalmente criando uma rede de apoio e mitigando os terríveis efeitos na saúde da solidão, principalmente para os idosos.

O desafio para nós, profissionais da saúde é de uma visão mais ampla do indivíduo, no sentido de tratar as famílias e fazer uma prevenção que chamo de longitudinal ampliada, onde o cuidado é dado desde antes da concepção e se estende por gerações.

Quer ser longevo e fazer seu filho longevo? Começe a aplicar esses princípios agora!

Mude seu estilo de vida!

Para finalizar, recomendo muito que assistam este vídeo curtinho sobre o “Blue Zones Solution”, uma iniciativa que mapeia o que fazem as pessoas que vivem bastante e com qualidade de vida.

Compartilhem à vontade!!!


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Dr Flávio Melo - pediatra

Sou médico pediatra há 11 anos, formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba e Pediatria no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (IMIP/Recife-PE). Enxergo que o futuro da prevenção na criança, passa por uma atuação nos hábitos familiares e estilo de vida, desde antes do casal engravidar.

4 comentários em “Depende de você: seu filho pode viver mais de 100 anos com qualidade

  • Pingback: Prisão de ventre - Pediatra do Futuro

  • 3 de setembro de 2016 a 02:34
    Permalink

    Dr, quais são as recomendações sobre a carne? Li que a ingestão exagerada de carne, principalmente a vermelha, contribui para algumas doenças. Eu sou vegetariana, mas estou dando carne para meu filho que iniciou a alimentação ha pouco tempo. Penso de não priva-lo desses nutrientes, mas gostaria que fosse o mínimo possível, para também evitar os malefícios. Há alguma recomendação sobre quantidades e tipos de carnes para consumo infantil?

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    • 3 de setembro de 2016 a 06:32
      Permalink

      As proteinas podem ser as mais variadas, a carne vermelha entre duas a 3 vezes por semana, o restante com ovos, frango, peixe, fígado, etc. Na verdade, a carne vermelha em excesso faz mal, principalmente na forma de carnes processada ou assadas como o churrasco. Respeitando a sua opção pelo vegetarianismo, creio que nas quantidades adequadas, a carne será interessante fonte de aminoácidos essenciais e outros nutrientes para ele, principalmente o ferro heme, que é mais biodisponível e o zinco, bastante importantes para desenvolvimento cerebral e do sistema imune.

      Responder

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