O poder do perdão

Na semana que passou, o mundo ficou em choque com o caso do menino de 2 anos que foi atacado pelo crocodilo na Disney. Foi a primeira morte registrada por este motivo no parque.

Creio que no coração de todos, principalmente os que tem filhos, veio um rasgo de dor ao imaginar a situação triste e desesperadora que aqueles pais viveram.

E aí, como é bastante comum nos dias de hoje, aparecem os juízes instantâneos da internet e sua capacidade de atacar e agir impiedosamente, procurando colocar a culpa em uma possível negligência dos pais.

Nem tudo que dá errado é negligência

Sério?

Como essas pessoas tem a capacidade de imaginar que os pais já não sofrem o bastante uma dor incurável e inenarrável do trauma de perder um filho nessas circunstâncias?

Quantos pais não carregam a culpa diária, como aquela pequena ferida que não pára de sangrar no coração, pela perda de um filho, nos dilacerantes “e se”?

Quantos pais não se culpam por não terem alimentado seus filhos da melhor maneira, de não terem dado aquela vacina que seria apropriada para aquela doença, por não terem percebidos que o adolescente estaria se desviando para as drogas?

Por não ter observado melhor o filho, conversado mais, olhado mais no olho, beijado mais, abraçado mais?

Precisam de alguém para julgá-los e imediatamente condená-los em momento de tamanha dor?

Precisamos de mais perdão, mais amor e menos culpa. A culpa corrói, afunda, arranha e intoxica a alma.

Só o perdão alivia, acolhe, acalma, aplaca a dor. A ciência também recomenda o perdão, como foi repercutido pela VEJA essa semana. Ele pode ser a diferença entre o estresse doentio, a depressão e o retorno à consciência real de que somos seres falíveis e por isso, totalmente perdoáveis.

Vamos pensar mil vezes antes de condenar pais em um julgamento raso e sem profundidade de informações. Muitas vezes há muito mais “por trás das cortinas” do que conseguimos saber.


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Dr Flávio Melo - pediatra

Sou médico pediatra há 11 anos, formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba e Pediatria no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (IMIP/Recife-PE). Enxergo que o futuro da prevenção na criança, passa por uma atuação nos hábitos familiares e estilo de vida, desde antes do casal engravidar.

3 comentários em “O poder do perdão

  • 20 de junho de 2016 a 21:05
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    Recentemente vi um comentário no site do globo.com me deixou perplexa. Um indivíduo dizendo que a indenização que os pais receberão vai superar qualquer dor que estiverem sentindo. Que a dor da perda passa, mas o dinheiro bem aplicado vai dar-lhes tranquilidade pro resto da vida. É impressionante a capacidade que alguns seres humanos tem de serem maldosos.
    Na rotina corrida que todos temos, uma vez ou outra acabamos sendo negligentes, quem nunca se descuidou ao menos uma vez?
    O que sei é que para esses pais a maior punição foi a perda do filho, o tempo pode até amenizar a dor, mas ela sempre vai estar lá. Não nascemos para perder um filho.

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  • 21 de junho de 2016 a 09:33
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    Suas palavras descrevem exatamente como me sinto como mãe. Tendo que constantemente justificar cada passo. Tenho dois filhos e estou grávida do terceiro. E até por estar grávida (mesmo casada e todos do mesmo pai) ainda tenho que justificar como engravidamos do terceiro sem planejar.
    Triste ver que as pessoas estão mais preocupadas em julgar do que em dar um palavra de apoio e consolo em um momento de tanta dor para país que acabaram de perder um filho.

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  • 21 de junho de 2016 a 11:54
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    Isso poderia ter acontecido com qualquer pessoa. O parque é culpado por não ter colocado os avisos antes de ter acontecido essa desgraça. Mesmo sem ter culpa, esse pai nunca vai se perdoar. Essa família nunca será “normal” de novo. Foi uma tragédia evitável, e espero que o parque pague caro por isso.

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