Seu filho toma antibióticos todos os dias e você não sabe

 

 

A conta é simples: produtores usam antibióticos nos animais que comemos e, portanto, ingerimos uma quantidade considerável destes, sem saber quanto. Não subestime o tamanho do problema. Veja neste post quais os impactos disso e o que pode ser feito.

Essa semana li um artigo na maior revista de pediatria do mundo, a Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria (AAP) que me deixou preocupado, revoltado e instigado, tudo ao mesmo tempo.

Em poucas palavras, é o que está no título: você, eu, nossos filhos, os sãos e os doentes, tomamos antibióticos todos os dias!

Não é lenda urbana – o uso de antibióticos nos animais é abusivo

É uma grande preocupação, tanto que a AAP escreveu esse relatório técnico essa semana, que vou tentar resumir aqui pra vocês.

Em 2012, vendeu-se 15 toneladas de antobióticos para uso animal, comparando com 3 toneladas para uso humano. Aproximadamente 60% dos antibióticos usados para animais, tem relevância para a saúde humana, sendo inclusive usados para tratamento das nossas doenças infecciosas.

Aí começa o problema: nos EUA, não há controle para venda de antibióticos para uso veterinário e provavelmente, igualmente a nós, muitos animais “tomam” antibióticos sem nenhuma necessidade.

Do mesmo jeito que me irrito com a prescrição excessiva de Amoxicilina para “viroses”ou “garganta” – aquele nome de uma estrutura do corpo que virou nome de doença (garganta não é doença!!!!) – nos animais, ocorre prescrição abusiva, e pior, sem controle! Nos EUA, 97% sem prescrição veterinária e apesar de saber que no Brasil temos melhor controle, nos dias de hoje, sei por especialistas da área que esse controle ainda está longe do ideal.

Só que no caso dos animais, muitas vezes os antibióticos são usados em baixas doses, cronicamente, em caráter “preventivo”, para “promover crescimento”, para “melhorar a eficiência da sua alimentação”: todos eufemismos para seu uso abusivo.

Antibióticos são frequentemente usados na raçãoE onde eles vão? Na comida que o animal come, frequentemente uma ração, e da mesma forma que engordamos e acumulamos gordura maléfica ao redor dos órgãos, ocorre com os animais. E provavelmente da mesma forma que as alterações na flora intestinal causam esses efeitos em nós, nos animais não é diferente.

Resumindo: comemos carnes de animais com péssima qualidade de composição, animais entupidos de antibióticos, doentes por esse motivo e adoecemos duplamente!

E o pior: comemos pequenas doses de antibióticos de uso humano diariamente, podemos estar sendo contaminados com bactérias Multi resistentes que causam intoxicações alimentares cada vez mais poderosas (Salmonela, Estafilococos, Campilobacter), causando um brutal aumento na resistência bacteriana nos humanos.

Então, não vamos colocar somente na conta dos médicos a questão da resistência bacteriana, vamos dividir a conta com a indústria alimentícia e veterinária (tô morto a partir de hoje…).

E agora, o que fazer?

Primeiro, cobrar o controle da prescrição excessiva de antibióticos tanto dos médicos, quanto dos veterinários.

Segundo, comprar carnes de pequenos produtores, carne orgânica, de boa procedência (frango caipira, ex.korin, carne de gado alimentado com pasto, maioria no Brasil), digamos, pode ser um caminho.

E fica bem claro, que a preocupação está longe de ser os hormônios que supostamente fazem o frango crescer (isso é lenda urbana, deixo claro, para os especialistas da área de produção animal não me crucificarem) e sim os antibióticos que eles comem todos os dias que devemos ter cuidado.

Compartilhem à vontade.


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Dr Flávio Melo - pediatra

Sou médico pediatra há 11 anos, formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba e Pediatria no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (IMIP/Recife-PE). Enxergo que o futuro da prevenção na criança, passa por uma atuação nos hábitos familiares e estilo de vida, desde antes do casal engravidar.

11 comentários em “Seu filho toma antibióticos todos os dias e você não sabe

  • 27 de maio de 2016 a 13:17
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    É tao dificil e caro encontrar carnes organicas. Eu como frango “normal” e compro para as criancas o frango organico (carissimo) no mercado, sem ter a certeza de que é organico mesmo.

    A carne, onde encontro? Voce sabe?

    Ps: adorei o blog. Vou acompanhar

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    • 26 de julho de 2016 a 08:40
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      Em SP a korin tem algumas lojas próprias. Lá você encontra frango sem antibiótico, frango orgânico. Já tem também carne de vaca sem antibiótico e carne orgânica. Só que é bem caro mesmo.

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  • 28 de julho de 2016 a 09:09
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    Gostei da matéria” Li o livro “Galactolatria, mau deleite” que explica os males que a carne de animais e do leite pode causar no organismo humano (tanto como antibióticos como tantos outros fatores envolvidos). Gostaria de citar o que eu lembro do livro sobre as vacas leiteiras: essas, além de produzir carne no futuro, precisam produzir uma quantidade de leite que o produtor necessita para vender e, assim, tomam uma quantidade exagerada (assim como você descreveu) de antibióticos e também de hormônios de crescimento. Além disso, apesar de se alimentarem com pasto, grande parte da sua alimentação já é de grãos (o que não é nada natural para os bovinos), o que causa desconforto e é necessário ainda mais remédios para combater possíveis doenças com essa alimentação diferente.
    Esse livro é sensacional e explica também os males dos laticínios para nossos filhos…o que me faz refletir muito sobre como devemos ter cuidado com a alimentação de nossas crianças, dando sempre o mais natural para elas, com cuidado de pesquisar a procedência.

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    • 2 de outubro de 2016 a 01:22
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      Você sabia que a utilização de hormônios para engorda no Brasil é crime inafiançável? Você sabia que mesmo que alguém queira burlar a lei, essa pessoa teria que buscar esse hormônio fora do país, pagar uma fortuna e correr o risco de ser preço? Você sabia que o Brasil exporta carne para países de Europa, Asia, América e que todos esses países exigem que façamos análises que comprovem que a nossa carne é livre de hormônios e que, na utilização de antibióticos os animais devem ter passado por quarentena? Você sabia que esses países retiram amostras e analisam nossa carne, mesmo que tenhamos já feito isso aqui, para comprovar as nossas análises? Você sabia que os EUA está começando a usar o modelo de Produção brasileiro porque o mercado consumidor quer comer de maneira mais saudável e que a nossa carne é modelo para os outros países? Creio que você não sabia disso! E creio também que você não sabia que esse livro que você citou é Americano, foi traduzido para o português e que o sistema de Produção de lá é totalmente diferente do nosso (lá o hormônio é permitido). Cada um segue sua ideologia, mas acreditar em mentiras, poxa vida, isso não é legal!

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  • 2 de outubro de 2016 a 01:11
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    Dr., me perdoe, mas é sério tudo que estou lendo aqui? Me desculpa, mas achei o artigo extremamente tendencioso e o título apelativo. Tanto é que no texto todo o Sr. cita os problemas e malefícios e depois responde para uma leitora que ela pode comer carne no Brasil tranquilamente. Ora, se ela pode comer carne no Brasil tranquilamente, qual o intuito de alarmar com um assunto tão importante quando esse? Digo tudo isso porque, assim como o Sr. tem sua especialidade e eu não estou aqui para qiestioná-la, eu tenho a minha e digo, trabalho com producao animal e na industria processadora de carnes há 10 anos. Existem muitas falhas, existem sim. Mas eu te garanto: no sistema de Criação brasileiro não há utilização de hormônios para engordar animais (no Brasil é crime inafiançável), não se usa antibióticos indiscriminadamente em rações (a fiscalização é fortissima em cima da indústria produtora) e mais de 90% dos animais é criado à pasto, ou seja, não consomem ração industrial, aqueles que consomem, normalmente são fabricadas nas fazendas, usa-se suplementos minerais para suprir as necessidades nutricionais somente. Além disso, por sermos o país que mais exporta carne no mundo, os países que compram do Brasil fazem marcação serrada em cima, exigindo controles, exames, análises, quarentena antes do abate, ou seja, tudo que o Sr. citou aí é típico dos EUA, não do Brasil. Concordo, temos muito a melhorar. A produção animal pode e deve ser mais sustentável, mais respeitosa, mas não é esse monstro que o Sr. mostra neste artigo. Desafio o senhor a me mostrar onde estão os estudos que comprovem tudo o que está dizendo neste artigo, provando que isso realmente acontece no nosso país!

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  • 10 de dezembro de 2016 a 09:40
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    E a carne de vaca? É sabido que há a utilização de antibióticos para evitar a mastite neste animais e ele só são abatidos quando não dão mais leite, ou seja, já estão velhos, por isso a sua carne é mais dura. Quando compramos carne não sabemos se é de vaca ou de boi, nem mesmo o açougueiro consegue diferenciar. Então concordo sim com o Dr Flávio.

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