Temperos: pode usar na comida do bebê?

A questão de usar temperos na comida do bebê, durante a introdução alimentar, sempre foi cercadas de mitos e tabus. Não deveria, pois seu uso agrega valor nutricional e sensorial à esta fase importante do aprender a comer. Aí recebi esse texto de uma nutricionista excelente do Rio de Janeiro, a Joana Adnet (sigam no Facebook) e com a devida autorização trago pra vocês.

Paladar infantil

Chamamos de paladar infantil aquele gosto por sabores óbvios, sem muitas nuances.
Geralmente, pessoas que têm a alimentação restrita por um paladar exigente e monótono, aceitando apenas poucos tipos de alimentos, de sabor muito suave, e sem grandes variações, são classificadas como tendo o tal do “paladar infantil”. De fato há uma condição chamada Transtorno Alimentar Seletivo, que vulgarmente é conhecida como transtorno do paladar infantil.
Mas por que esse nome, gente??
Bom, certamente porque construíram a idéia de que criança não deve comer alimentos com sabor forte, ou menos óbvio, ou amargo, ou muito azedo e muito menos picante. Ficam no doce, salgado, um leve azedinho da laranja lima e olhe lá.
Já vi muitos casos de bebês que comiam bem as frutas, mas começavam a rejeitar os alimentos quando entrava o almoço, na maioria das vezes um purê de hortaliças. Não demorava muito pra descobrir que esse purê geralmente era feito hortaliças cozidas na água ou no vapor e sem tempero algum.
Costumo perguntar para os pais “você já provou a comida dele?”. E a resposta varia entre não ter provado ou ter provado e achado terrivelmente sem graça.

E afinal, que temperos usar?

Mas e se eu te disser que bebês podem comer comida refogada desde o início da introdução alimentar? Isso mesmo, alho e óleo. Ou mesmo cebola, alho poró… Que podem ingerir toda sorte de temperos frescos, como louro, salsa, cebolinha, manjericão, coentro, sálvia, orégano…E também a versão desidratada de vários desses, além de cúrcuma, canela, noz moscada e tantos outros…? Surpresos?
Pois então, podem! E devem!
A comida do bebê e da criança deve ser gostosa, rica, instigante e variada.
Por que privá-los de tantos sabores e aromas maravilhosos justamente quando estão sendo apresentados a esse mundo dos alimentos?
É triste constatar que alimentos destinados a bebês e crianças são geralmente cheios de açúcares, farinhas e pobres em variedade de sabor e cor.
Experimentem colocar na busca de imagens do google o termo “alimentos infantis”. Só dá farinha, mingau, fórmula, papinha industrializada, biscoito recheado e afins. Tem até daqueles salgadinhos de milho cheios de glutamato monossódico. Lamentável.
Se queremos garantir uma alimentação rica nutricional e culturalmente, temos que seguir no sentido oposto.
Comida caseira, refogada, temperada, colorida, variada. Moramos no Brasil, afinal de contas. Nossa cultura gastronômica é de uma riqueza sem tamanho. É parte da nossa identidade. Nada mais natural que incluir os bebês e crianças pequenas nesse contexto.
Toda nossa comida é rofogada no alho e óleo, quando não leva também cebola. Cenoura com cebolinha verde, batata baroa com alho poró, tomate refogado com manjericão…por aí vai. Vale a criatividade.
E provem! A idéia é você, pai ou mãe, achar uma delícia. Comer junto, compartilhar o momento da refeição E a comida.
Claro que há algumas restrições, mas elas não incluem temperos, salvo as pimentas, de início, excesso de sal e alguns outros alimentos mais alergênicos ou com maior risco de contaminação. De resto, dá pra toda a familia comer junta.
Então, amigos, aproveitem. Curtam esse processo, sem pressa, sem focar nas restrições, mas na incrível variedade de sabores que seus pequenos vão conhecer.

*Joana Adnet, nutricionista – consultas, consultorias e aulas sobre introdução alimentar


Receba seu ebook grátis

Receba grátis ebook do pediatra dr Flávio Melo com 27 textos sobre os temas mais atuais, como H1N1, Zika, Imunidade e alimentação. São 160 páginas de conhecimento sobre como cuidar bem de seus pequenos. Basta deixar seu e-mail e clicar em "Eu quero"

Dr Flávio Melo - pediatra

Sou médico pediatra há 11 anos, formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba e Pediatria no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (IMIP/Recife-PE). Enxergo que o futuro da prevenção na criança, passa por uma atuação nos hábitos familiares e estilo de vida, desde antes do casal engravidar.

6 comentários em “Temperos: pode usar na comida do bebê?

  • 10 de fevereiro de 2017 a 15:03
    Permalink

    Boa tarde!
    Dr. E quanto as carnes, é certo introduzir no início?

    Responder
  • 16 de fevereiro de 2017 a 10:49
    Permalink

    Dr. Vou começar a introdução alimentar da minha filha a partir da próxima semana . Devo oferecer de ante mão ovo? Por causa das proximas vacinas, ou ofereco alguma outra carne antes ? Grata

    Responder
  • 7 de março de 2017 a 11:14
    Permalink

    Dr. Flávio, a respeito do óleo, qual utilizar? Normalmente evito óleos vegetais nas refeições feitas para mim e minha esposa, por motivos óbvios. Uso banha de porco, ou manteiga, ou óleo de côco.

    Qual tipo de gordura de cozinhar o senhor indica para a introdução alimentar? Essas que mencionei estão indicadas?

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *