Vacina de influenza e H1N1, mercúrio e narcolepsia: os boateiros não desistem nunca!

 

 

Um certo pânico foi espalhado pela notícia de que o mercúrio contido na vacina de influenza poderia fazer mal. Este tema já foi bastante debatido e a conclusão bem clara: não há problema algum. Sei que boatos às vezes nos deixam com medo, por isso montei este post para te tranquilizar.

Se tem um motivo pelo qual eu estudo, escrevo e tento esclarecer as pessoas, é que a sanha dos boateiros não acaba nem com reza brava. Toda semana tem um boato novo.

E tome medo! E tome whatsapp e mensagem pros pediatras!

Mas a desinformação pode matar, deformar e fazer as pessoas sofrerem, por isso me sinto na obrigação de esclarecer.

A verdade sobre o mercúrio na vacina de influenza

É fácil entender. Leia os pontos abaixo e veja que o boato não faz sentido. Para mais informações (em inglês), veja esta página do FDA (Food & Drug Administration).

– As vacinas de influenza em apresentações de múltiplas doses por ampola, que é a disponibilizada pelo governo, contém 2 microgramas de timerosal por dose de 0,5 ml.

– O timerosal é um preservativo das vacinas que são apresentadas em múltiplas doses, que evita a contaminação do frasco com fungos e bactérias pela introdução da agulha na hora de retirar a dose.

– o timerosal contém 50% de etilmercúrio, que é diferente do metilmercúrio do ambiente, que em doses excessivas pode trazer prejuízos para a saúde.

– o etilmercúrio é rapidamente metabolizado pelo organismo e vários estudos atestaram a capacidade do organismo de se livrar dele, sem maiores problemas.

– a quantidade de mercúrio que é considerada segura pelas autoridades de proteção ambiental americanas (EPA) é entre 65-165 microgramas nos primeiros 6 meses de vida. Preste atenção: a vacina de influenza do Butantan contém dois microgramas!!!

– todos os estudos realizados pelas autoridades científicas mais sérias, afastaram a possibilidade do timerosal estar ligado à alterações neuro-cognitivas nas crianças, não há mais discussão na literatura sobre isso.

– de qualquer forma, poucas vacinas contém timerosal na sua formulação nos dias de hoje, ao contrário de antigamente.

– as vacinas em dose única por seringa, que são as vacinas do serviço privado, não contém timerosal na sua composição, mas deixo bem claro que a vacina do governo é segura e eficaz e protege contra o H1N1.

E sobre a narcolepsia?

Vou traduzir textualmente o documento científico do CDC USA (Center for Disease Control):

“Em 2014, o CDC publicou um estudo sobre a associação das vacinas de influenza de 2009, as vacinas 2010/2011 para influenza e a narcolepsia. A análise incluiu mais de 650 mil pessoas que receberam a vacina da gripe pandêmica em 2009 e mais de 870 mil que receberam a vacina da gripe sazonal em 2010/2011.”

Sem falta de educação, segue em caixa alta:

“O ESTUDO MOSTROU QUE A VACINAÇÃO NÃO ESTEVE ASSOCIADA COM UM AUMENTO DE RISCO DE NARCOLEPSIA.” (esta vacina feita nos EUA é bastante semelhante com a que é feita aqui nos postos).

– O problema na Finlândia, em 2009, foi com uma vacina que não é feita por aqui. Além disso, até hoje sequer se chegou a um consenso se existe relação causa-efeito com a vacina. Leia mais sobre este problema em específico neste relatório.

Pronto, precisa de mais alguma coisa?

Fiquei preocupado, pois até em grupo de pediatras vi gente compartilhando a informação maldosa e falaciosa e tive notícias de médicos se recusando a vacinar seus filhos por conta desses boatos.

A ciência não é incontestável, mas precisa de outra ciência para contestação e não o boato da internet. Vacinas salvam vidas, ignorância mata. Compartilhem o máximo possível!


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Dr Flávio Melo - pediatra

Sou médico pediatra há 11 anos, formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba e Pediatria no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (IMIP/Recife-PE). Enxergo que o futuro da prevenção na criança, passa por uma atuação nos hábitos familiares e estilo de vida, desde antes do casal engravidar.

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