Vitamina S: maneiras práticas para o dia a dia do bebê

Antes de qualquer coisa queria que você entendesse que, apesar do nome Vitamina S remeter à palavra “Sujeira”, na verdade ela faz parte de um conceito mais amplo.

Não significa sujar deliberadamente o bebê ou a criança.

Mas adotar uma postura de menos neurose em relação ao contato com a natureza e investir em uma alimentação mais direto da terra.

Implementar mudanças do estilo de vida que resultem em um maior equilíbrio do sistema imune.

Então, antes de sair por aí dizendo que estão recomendando dar uma mamadeira de terra pro bebê ou esfregar a cara do menino na lama (eu sei, as fotos são sugestivas, mas é só pra chamar a atenção), fique ligada nessas dicas práticas de como implementar essa filosofia na vida do seu filho.

Vou dividir em 3 áreas importantes:

1. Começando certo

 Se o bebê ainda não nasceu, busquem o melhor momento da concepção, que deve coincidir com um momento de excelente saúde dos pais (isso, do pai também).

Façam exames preventivos, mas não deixem de incluir a visita à um nutricionista e o início de uma atividade física. Melhorem os hábitos de sono.

Durante a gravidez, cuide da alimentação melhor ainda, especialmente nas primeiras 8 semanas.

Tomar sol, entrar em contato com a natureza e, se necessário suplementar uma dose mais alta de Vitamina D.

Pensem em 2 coisas importantes: parto natural e amamentação. Se não for ou não foi possível, não significa que tudo vai dar errado, mas esses são grandes passos.

Logo após o nascimento, contato pele a pele e alojamento conjunto.  Aleitamento materno exclusivo, não caia na tentação da fórmula, resista, insista e persista!

2. Comida de Verdade

O bebê deve mamar exclusivamente até o sexto mês (eu sei, você está careca de ouvir isso, mas não custa lembrar).

A alimentação da mãe pode influenciar bastante na composição do leite materno, especialmente no aspecto qualitativo. Mais um momento para ter auxílio da nutricionista.

Na introdução alimentar, que também deve ser auxiliada pelo pediatra e nutricionista, sempre preferir alimentos naturais e evitar ao máximo os ultra-processados.

Os alimentos antes ditos como de potencial alergênico, como peixe, amendoim, algumas frutas, ovos, laticínios (não confunda com leite integral), não devem ser postergados, salvo em caso de alergias já diagnosticadas.

Não deixe de dar gorduras boas, como os peixes (pode ser sardinha), o azeite extra virgem (deve ser adicionado no preparo e na comida crua), o abacate e as nozes (trituradas).

Se o ambiente e o estilo de vida permitirem, o método BLW – sempre supervisionado – é a forma mais evolutiva e racional de iniciar o contato do bebê com os alimentos.

Ele preserva os alimentos na sua forma, textura e gosto original, além de estimular adequadamente o desenvolvimento oral, sensorial e gustativo. Se não achar adequado ou possível, as papas não são contraindicadas, apenas sempre use alimentos naturais.

Use temperos, à exceção da pimenta. Apresente sabores amargos, ácidos, azedos e pungentes para seu bebê. A canela, o gengibre e as frutas azedas, sem adoçar, devem ser ofertadas.

As fontes de probióticos e pré-bióticos, sempre que possível, devem vir da comida.

Torne o ato de alimentar-se um momento de interação familiar e não de interação do bebê com o tablet.

3. Reconexão com a Natureza e estilo de vida

Quando o bebê já estiver segurando a cabeça, coloque-o em um tapetinho de EVA.

Faça estímulos com sons, cores, luzes, na posição de bruços e de barriga pra cima. Converse, cante, brinque, enfim, interaja!

Comece a levá-lo para passeios na vizinhança. Não precisa colocar ainda no chão, mas leve-o para um local onde exista natureza.

Só de ter um pet em casa, já existem estimulações benéficas do sistema imune, mas não é necessário que o bebê esteja em contato direto e frequente com ele. Não que isso trará algum mal, creio até que será benéfico do ponto de vista sensorial (desde que o pet sempre seja acompanhado com veterinário).

Após os 6 meses, quando já estiver sentando, leve-o para conhecer as texturas da terra, da areia da praia, da grama no parque.

Não precisa sujar o bebê deliberadamente, não precisa colocar ele do lado do cocô de cachorro, mas não fique neurótica se ele levar à mão à boca.

Isso acontecerá inevitavelmente e em qualquer local. Ao chegar em casa, lave as mãos e dê banho, mas com sabonete comum. Nada de banhar em álcool gel e usar o sabonete que elimina 99,9% das bactérias.

Evite um tempo de tela maior que 2 horas por dia, diminua os estímulos noturnos e use luzes amarelas ao invés de brancas.

Entenda que algumas infecções virais são normais nos primeiros dois anos de vida e que apesar que causarem incômodo e temores, se o bebê estiver tomando Vitamina S o suficiente, essas não terão complicações.

Não use antitérmicos em excesso. Evite medicar demais a febre, pois ela é uma reação natural e importante do sistema imune. Se guie pelo desconforto do bebê e não pelo número no termômetro.

Discuta ao máximo com seu médico a indicação de antibióticos. No momento certo, estes salvam uma vida, no momento errado, bagunçam o organismo dele de forma prolongada.


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Dr Flávio Melo - pediatra

Sou médico pediatra há 11 anos, formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba e Pediatria no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (IMIP/Recife-PE). Enxergo que o futuro da prevenção na criança, passa por uma atuação nos hábitos familiares e estilo de vida, desde antes do casal engravidar.

7 comentários em “Vitamina S: maneiras práticas para o dia a dia do bebê

  • 23 de agosto de 2016 a 19:53
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    Muito bom o texto! Sempre fui mais relax com a necessidade de esterelizar tudo, porém algumas coisas não fiz da melhor maneira na primeira gravidez, pois não a planejei. Tive dois partos naturais e amamentei por mais de um ano (e ainda amamento a segunda), mas a primeira tomou algumas vezes antibiótico, e hoje penso que talvez metade só tivesse sido necessário. Tenho lido sobre dar os probióticos, o que voce acha sobre o assunto? Quais alimentos são ricos neles? Obrigada sempre pelas dicas!

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    • 25 de agosto de 2016 a 07:11
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      Eu acho que comer probióticos, na forma de iogurte, Kefir e alimentos fermentados é uma boa. A suplementação ainda é muito mais uma moda do que algo que seja altamente eficaz, até porque casa cepa de bacteria probióticos serve para um fim específico, de acordo com a dose e tempo de uso.

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      • 3 de dezembro de 2017 a 00:42
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        Meu filho completou 8 meses , amamentação materna e alimentação mais natural possível , como introduzir probióticos na alimentação dele ?

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  • 23 de agosto de 2016 a 23:01
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    Olá dr, meus pais estão querendo fazer exames de rotina dos meus irmãos de 3 e de 6 anos de idade. Queremos fazer os exames sem o pedido, porque aí já levamos eles na consulta com os exames prontos. Quais são todos os exames que devem ser feitos?

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  • 20 de fevereiro de 2018 a 09:11
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    Minha bebê de 4 meses está com amamentação exclusiva até agora. O problema é que ela só dorme no peito. Durante o dia eu tenho que ficar do lado pra ela dormir se não o sono é de 10 min. Ela fica acordando e mamando um pouquinho. Se eu levanto ela acorda. A noite dorme melhor, acorda a cada 2 horas pra mamar. O q eu faço??? Não consigo fazer nada mais, só ficar dando o peito??? Me ajuda!!

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    • 28 de fevereiro de 2018 a 21:19
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      Sugiro que você a leve para avaliação médica. Não há como dar orientações à distância para casos particulares.

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